Obesidade

SBC tem participação importante em recuo da Anvisa sobre sibutramina

    A Sociedade Brasileira de Cardiologia [ SBC] foi um dos atores principais na audiência pública que fez a Anvisa reconsiderar a decisão de vetar a sibutramina e outras drogas para emagrecimento, sem ouvir as sociedades médicas sobre a necessidade do medicamento para tratar de seus pacientes.
   Na Audiência Pública, considerada histórica, a SBC foi representada por Lázaro Miranda que, para levar a posição da entidade, consultou o Departamento de Aterosclerose, o presidente Jorge Ilha e o presidente futuro, Jadelson Andrade.
“A importância do nosso pronunciamento decorre do fato de que como o cardiologista não receita as drogas que se discutia, não há quaisquer conflitos de interesse”, explica Lázaro.
   A posição da SBC é que, como órgão regulador, cabe à Anvisa discutir o uso, mas é vital que as decisões não sejam tomadas a portas fechadas, mas que seja ouvido o médico que trata o paciente. Disse que o interesse da SBC é grande já que a obesidade é risco cardíaco e uma das recomendações constantes do cardiologista é que seus pacientes evitem sobrepeso e obesidade.
   Ora, continua Lázaro Miranda, sem ouvir as sociedades médicas, o que só foi feito após a repercussão da “Nota Técnica” na imprensa, a Anvisa baseou-se em um estudo “Scout” europeu e com pacientes cardiopatas e hipertensos, exatamente os que, pela bula do medicamento, não devem ter a droga prescrita. “No universo pesquisado era de esperar até número maior de complicações”, afirma o médico, para quem o estudo em questão não resiste ao rigor exigido da medicina baseada em evidências.
   Em resumo, a posição da SBC foi no sentindo de “manter os anorexígenos de ação central, inclusive a sibutramina”; implementar a regulação da prescrição só para quem pode tomar e apresenta boa resposta em três meses”, “que a Anvisa sempre busque as Sociedades de Especialidades para assessoramento, deixando de tomar decisões unilaterais” , e “que o paciente seja visto como o único foco e beneficiário da questão, não podendo ficar órfão da medicação.
    O jornal O Estado de S.Paulo, que divulgou o recuo da Anvisa e a decisão de amplo debate do assunto, ressaltou a intervenção do representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, citando a frase em que, após sua exposição insistiu para que “essa queda de braço entre o órgão regulador e as sociedades médicas tem que acabar” e que ”a SBC entende que o debate deve continuar, mas sempre com participação de especialistas”.

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