A Santa Inquisição

Ptolomeo afirmava: A Terra é quadrada, e o poder determinava que a Terra era quadrada; não tinha como se demonstrar o contrário, mas também não se podia confirmar que, além de quadrada, era o centro do universo.

    Copérmico por sua vez afirmava: A Terra é redonda e gira em torno do Sol, e o poder desmentia. Como seria possível a Terra não ser o centro do universo, se o poder estava instalado justo aí?

    Assim o poder tem-se transmitido de tempos em tempos; porém, as coisas tem mudado de assunto, mas não de sua colocação na prática:

  -O poder decide o que é certo e errado;
  -O poder decide o que se pode e não se pode fazer;
  -O poder influencia as pessoas para entender que o certo deles é o único caminho certo;
  -O poder usa da ignorância e da preguiça;
  -O poder faz tudo isso para se manter no poder, e sobretudo, ter o poder de poder dominar o poder das outras pelo maior tempo possível.

    A blogueira cubana Yoani Sanchez sempre afirma: O poder eterno aumenta a corrupção das pessoas, e Cuba é sem dúvida o lugar do planeta onde claramente fica demonstrado que o poder de poucos por cima de muitos só consegue destruir pobreza, o país é o mais numeroso em médicos, todo mundo estuda medicina por lá, mas sem estar no poder ninguém consegue viver decentemente com o exercício da profissão, ninguém lá pode dar uma opinião, tudo por lá é perfeito, tanto quanto ninguém pode sair do país por vontade própria e sim, só vontade do próprio poder.

    Em medicina não é diferente. Com freqüência, sábios com poder definem o que é certo e errado, definem o que se pode falar ou dizer, decidem pela saúde do paciente como se estivessem atendendo a eles pessoalmente, esquecendo que a responsabilidade é do médico, e não de quem decide por ele.

    Hoje, baseados no conceito de medicina baseado em evidências, que foi estabelecido nos USA a partir do poder econômico da indústria farmacêutica, que seria a única com potencial suficiente para desenvolver trabalhos a critérios impostos pelo poder econômico, define o curso de drogas, cria doenças, estabelece prioridades, e faz o impossível para destruir idéias que não ocorrem paralelamente o seu poder e ao resultado econômico esperado por ele, e para isso usa o poder social, econômico, e até legal para impor suas idéias.

    A medicina baseada em evidências, sem dúvida, é um salto na consolidação das idéias médicas, mas seria justo e certo (alguém lembra a diferença de cada uma delas?) que os trabalhos que a definam, sejam feitos por grupos independentes sem conflitos de interesses (repetimos: sem conflito de interesses) e bancados economicamente pelo poder farmacêutico; porém, sem interferir na elaboração e nem no resultado final do projeto.

    Um livro que fez fama escrito por Márcia Angell, ex-diretora editorial da Revista New England Journal Of medicine intitulado: O que a indústria farmacêutica não quer revelar, Dan Editora Record traduzido ao português, afirma claramente: mais de 90% dos trabalhos publicados nas revistas cientificas indexadas não tem utilidade de prática nenhuma, e são feitas baseadas em conflito de interesses que representa o interesse de um grupo sobre os interesses da sociedade.

    Um dos fatores mais importantes que sempre foram deixados de lado é a experiência do profissional da área de saúde, que jamais será superado nem por diretrizes e nem por medicina baseada em evidências, a vivência do médico, o contato com o paciente, o processo evolutivo da doença, só conhece quem lida dia a dia com ele, e ainda mais, só ele sabe o que é melhor para o paciente, caso contrário seria suficiente consultar um livro ou entrar no Google acadêmico, e cada paciente poderia fazer seu próprio diagnóstico e definir seu tratamento baseado nas diretrizes, assim como está publicado na comunicação virtual.

    O poder nega os avanços que não esteja diretamente envolvido, primeiro por medo de que um espaço seu seja ocupado, e segundo porque não investe para estudar nada que não seja de autoria dele, e que fique com ele como patente por um longo período de tempo dando retorno econômico. E a situação das células-tronco? O mundo todo está apostando nelas (será que são definitivas e decisivas?), mas não temos dúvidas que vão demorar muito até nós sabermos o verdadeiro potencial, apesar de existir tentativas de todos os lados; porém como é um tratamento pessoal e o poder não tem retorno desejado, só um fato (se for), quando o poder tiver a possibilidade de distribuir o procedimento a granel, momento em que virará uma diretriz baseada em evidências científicas, até lá passará por inúmeras leis. Será considerado antiético, será criticado e elogiado, e quando incorporado como próprio dirão: nós sempre achamos que o futuro da medicina estava dentro deste conceito.

    Ivany Moraes afirmava: A temporalidade da verdade em medicina. Professor de cirurgia vascular. Esquecemos que lidamos com uma ciência biológica e somente quando entendemos o intrincado sistema bioquímico do organismo, conseguiremos farmacologicamente restabelecer a fisiologia de um organismo dominado pelos processos patológicos, Devemos reconhecer que muitos fenômenos farmacológicos atuais estão seguindo este caminho; porém, quanto mais potentes os medicamentos, mais caros são, e muito mais efeitos colaterais apresentam, mas como diria o poder: o importante é o resultado. O resto dos efeitos colaterais iremos descobrindo pelas notificações de segurança sanitária.

    Lamentavelmente criticamos com veemência o que desconhecemos, inclusive, satirizamos por desconhecer seus fundamentos, só como lembrança: quantos ironizavam a acupuntura agora ficam de joelhos, idiotizavam a homeopatia (desilusões, alma, espíritos, bobagem). Mas incorporaram com especialidade, e na maior parte dos casos sem trabalhos, mas como ponto mais importante os resultados clínicos reconhecidos pela população assistida.

    Não tenho dúvidas, que todo procedimento dentro da área de saúde deve ser considerado um ato médico, até que se prove o contrário, por ser muito mais seguro nas mãos do médico do que nas mãos de profissionais que entraram na área de saúde sem ter uma formação completa, porque o médico tem uma responsabilidade civil com seu paciente e com a sociedade, o não médico, não responde a nada exceto a justiça comum, não tem a vivência, não tem a base, e funciona predominantemente pelo empirismo, de onde podemos inferir:

  -A medicina é um ato médico de meio e não de fim, e deve ser de total e absoluta responsabilidade do médico tomar as medidas cabíveis baseadas na sua experiência e na sua convivência científica.

  -As ciências estabelecidas como fato em diretrizes, deveriam ser apenas uma sugestão, e não uma imposição por não ter dois pacientes iguais. O conceito de uma medida é bom para todos, já está superado pelo conceito da individualidade bioquímica estabelecida por Roger Williams à décadas atrás, ao ponto de não termos dois indivíduos iguais (todos temos diferentes impressões digitais, inclusive gêmeos idênticos). Temos tantos polimorfismos (que agora graças a insistência da ortomolecular com os testes polimórficos), onde determina-se a sensibilidade de cada paciente a fármacos, a nutrientes, a alimentos, e que nos demonstra que os polimorfismos são variados, que muitos dos conceitos que hoje usamos como verdadeiras diretrizes, logo deixaram de ser como afirmava o professor Ivany Moraes.

    É melhor incorporar o ato médico para o médico, e treinar adequadamente o não médico ou o terapeuta para definir o limite de sua ação preventiva na saúde, porque proibir só aumenta seu desejo de demonstrar que está certo, e usa os poderes paralelos para minar os poderes da medicina.

    O mundo esta sofrendo grandes transformações, o que obriga ao homem acompanhar estes processos evolutivos, e com a inclusão da informação virtual, os novos conhecimentos rapidamente estão passando de Mão em Mão. Não temos mais controle da informação, a mesma pode correr no sentido do certo ou do errado, mas nada do errado dura para sempre, baseado no princípio: posso mentir para poucos por um tempo, mas não posso mentir para todos o tempo todo, o que demonstra que vários conceitos dentro da medicina complementar já esta no mercado e vem crescendo durante muitas décadas, e ao invés do poder observar isso com fundo científico estimulando trabalhos, incorporando como ato médico, seguimos na filosofia de Schopenhaur.

    Toda idéia passa por três fases:

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    A inteligência indica que o poder deve incorporar dentro do âmbito médico os conceitos não para puni-los, e sim para estudá-los, para definir o marco de sua importância e alcance, e eliminá-la caso não tenha sido aprovada, mas não pela força econômica do poder industrial e sim pela força da inteligência e da sabedoria que nos diferencia racionalmente do animal.

    Sei que assim, como outros autores citados nas linhas acima, é provável que esta matéria seja lida por alguns como:

  -Realmente é um fato.

  -Outro descontente (com um sorriso irônico no rosto).

  -Bobagens e idéias sem pé e sem cabeça.

  -Outros

    Toda mensagem tem o intuito de criar um estado de consciência, e através dele tentar prestar serviços relevantes a comunidade. Silenciar as idéias continua sendo um retrocesso, por isso alguns países, inclusive aqui comentados, vivem a 60 anos atrás e descobriremos quando o regime acabar ( que está pronto), que a população não está pronta para a invasão estrangeira do poder que comprará tudo, e a população após 60 anos de miséria em um regime totalmente antidemocrático seguirá vivendo dominada por outro tipo de poder; porém em alto consumo.

    A inquisição continua o tempo todo, só muda de nome, e para isso o poder se usa da população para disseminar suas idéias no princípio da moralidade (moralidade? É só ler o jornal todos os dias ou assistir o noticiário), justiça (é pior sem ela), e o benefício social (benefício social? Alguém consegue descrever qual é o benefício social resultante da contribuição do indivíduo dentro da sociedade?).

    Procuramos uma sociedade igualitária e justa; onde a função do poder seja congregar e não dividir, onde os benefícios sejam utilizados para o bem, onde os prejuízos sejam divididos quando definidos pela grande maioria e não por decisões de grupos (que estes arquem com os prejuízos). Será que um dia veremos isto acontecer?

    Deus nos guarde.

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