Moderadores de Apetite

Há cerca de 30 anos foram proibidos o uso dos moderadores de apetite – FENFLURAMINA E DEXFENFLURAMINA – no mercado brasileiro, sob alegação de causar valvulopatia cardíaca e hipertensão pulmonar. Porém, ainda não existe comprovação desses efeitos.

    Alguns anos após a proibição, foi lançado no mercado brasileiro a SIBUTRAMINA, patenteada com o nome de REDUCTIL, que foi a sensação no tratamento de emagrecimento durante 10 anos, e era comercializada em receita branca (comum), permitindo até 120 comprimidos por receita e tomada 02 vezes ao dia.

    Após a queda da patente, a SIBUTRAMINA passou a ser comercializada por várias indústrias e farmácias de manipulação e foi determinado pela instituição competente que a receita fosse AZUL B. Posteriormente, os outros moderadores: ANFEPRAMONA FENOPROPOREX E MAZINDOL também foram proibidos com alegações duvidosas. Esta decisão defronta com os profissionais que têm como objetivo prevenir várias patologias causadas pela obesidade e também com o anseio popular.

    Os nossos representantes legais no Congresso decidiram pelo retorno dos MODERADORES alegando que seus benefícios são infinitamente superiores aos efeitos colaterais, que são contornáveis. Entretanto, oórgão regulador não liberou a comercialização desses medicamentos que estavam no mercado brasileiro há aproximadamente 60 anos.

    Assim sendo, questiona-se: um medicamento que permaneceu no mercado brasileiro há tanto tempo necessita de trabalho científico para comprovar sua eficácia ?

    Até que ponto a decisão do Congresso é revestida de legalidade ?

    Quais as justificativas e fundamentos científicos apresentaram para essa tomada de decisão? Após a proibição dos moderadores de apetite, a SIBUTRAMINA passou a ser controlada por meio do receituário AZUL B2 e com redução da prescrição para apenas 30 cápsulas por mês para cada paciente, o que é insuficiente, porque esse medicamento necessita ser tomado 2 vezes ao dia.

    Poucos pacientes sabem que a receita AZUL B2 é controlada , sendo liberada apenas 400 folhas de receita de 4 em 4 meses, o que é inviável para o trabalho do médico. Essa deliberação está interferindo na conduta do profissional médico, mas a responsabilidade do tratamento continua a ser somente do médico assistente.

    Coincidentemente, após essas proibições, são lançadas outras drogas patenteadas e, quando isso não ocorre após a perda da patente, os critérios se alteram.

    O médico estuda por vários anos, e detêm conhecimento científico suficiente para saber se seus pacientes (individualmente) podem ou precisam usar inibidores devido aos distúrbios hormonais, metabólicos, etc. Sob essa ótica a autonomia do médico na prescrição e indicação da terapêutica deve ser preservada, sem interferências de terceiros .

Outros órgãos que não foram capacitados para estudar o complexo corpo humano, bem como o seu funcionamento, vêm sobrepor a um ato médico, desconhecendo a relação de causa-efeito desses moderadores e outras substâncias afins.

    É lícito invadir o espaço do profissional médico que se dedica a anos de pesquisa e prática e que detêm grande experiência em sua área específica?

    Desfavoravelmente, este é o Brasil, em que instituições burocráticas e reguladoras ,formadas com outros interesses, estão cada vez mais ditando regras, impondo condições sobre os profissionais da saúde e, desconsiderando a ética e os princípios científicos que regem a Medicina.

Belo Horizonte, 17 de fevereiro de 2015.

Dr. João Rocha Neto.

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