COVID-19

COVID-19 possui a mais perfeita engenharia genética que conheço desde o princípio de minha carreira como médico.

Para compreender a ação desse vírus em nosso corpo, é preciso levar em consideração as hemácias. Estas são células sanguíneas que possuem uma molécula de ferro cuja função é transportar o oxigênio no sangue. O COVID-19 atua separando a molécula de ferro da hemoglobina (proteína do sangue), tornando ineficiente o transporte do oxigênio, o que resulta em hipóxia nas moléculas de todo o organismo. O ferro oxida, tornando-se um radical livre denominado hidroxila. Ele impulsiona uma tempestade inflamatória e uma agressão sistêmica que se inicia na circulação. Por sua vez, esta pode causar alterações na coagulação, modificando o sistema de fibrina/fibrinogênio. Com isso, a formação de trombos é favorecida e pode evoluir para doenças secundárias, tais como TEP (tromboembolia pulmonar), TPV (trombose venosa profunda), AVE (acidente vascular encefálico), comprometimento no sistema renal e IAM (infarto agudo do miocárdio).

A inflamação ocasionada pela hidroxila eleva os níveis de ferro sérico (sanguíneo), acarretando, consequentemente, o aumento de ferritina, por se tratar de um processo de compensação do organismo. Dessa forma, a inflamação generalizada pode acometer órgãos e sistemas, variando de acordo com a agressividade do vírus e da fragilidade característica do indivíduo infectado. Por exemplo, o funcionamento hepático é comprometido, aumentando os níveis de PCR sérica (proteína produzida pelo fígado cuja concentração no sangue eleva drasticamente na ocorrência de processos inflamatórios ou infecções). Outra ocorrência que podemos mencionar é o possível dano ao funcionamento pancreático, uma vez que a inflamação impede a produção de insulina endógena, resultando no disparo dos níveis de glicose. Tem-se, portanto, implantado no organismo, o descontrole pela ação do COVID-19, já que todas as suas moléculas são afetadas.

Por se tratar de um processo inflamatório sanguíneo, tecidual e sistêmico, é necessário que, mesmo após melhoras apresentadas, sejam realizadas avaliações médicas e laboratoriais para acompanhar apropriadamente a recuperação. Mesmo após a normalização do quadro, é possível a ocorrência de alteração das citocinas (marcadores inflamatórios) favorecendo o retorno da inflamação e acarretando o surgimento de novas patologias como miocardia, arritimia, tromboembolismo, diabetetes mellitus, distúrbios neurológicos e até mesmo acidente vascular cerebral (AVC). Através do acompanhamento, possibilita-se a monitoração dos resultados de exames proporcionando ao paciente a segurança do não comprometimento de seu quadro e surgimento de sequelas secundárias pós COVID-19. Ao mesmo tempo, é imprescindível o não abandono de medidas preventivas como uso de máscaras em ambientes públicos, higienização adequada e distanciamento social, principalmente durante a pandemia.

Dr. João Rocha Neto



Referência bibliográfica: OLSZEWER, Efrain; MACHADO Priscila. Inflamação na Visão Ortomolecular

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